quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Serpentes e pombas

Serpentes e pombas


“Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mateus 10:16).

Serpentes e pombas – duas criaturas com pouco em comum. E, no entanto, no desenvolvimento do nosso caráter, devemos ser “como” elas são em alguns aspectos. É um bom paradoxo, não é? Muito do caráter do cristão é um paradoxo. Por exemplo:

Devemos controlar nossas línguas (Tiago 3:1-12) mas também ser ousados no falar (Efésios 6:20). Não há virtude numa língua ousada que está descontrolada nem numa língua que é tão controlada que nunca é ousada. Nossas línguas precisam de uma “ousadia controlada” para repreender o pecado tanto publicamente (Gálatas 2:11-21) quanto particularmente (Mateus 18:15). Apesar das conseqüências poderem ser desagradáveis (Marcos 6:16-18), devemos falar ousadamente, e quando a situação requer, as nossas línguas ousadas devem ser diretas (Mateus 23:15). O medo de dizer uma coisa errada não deve nos impedir de dizer a coisa certa (Mateus 10:26-27). O silêncio nem sempre reflete sabedoria, às vezes simplesmente mostra a covardia.

A humildade de Paulo (1 Coríntios 15:9) e, ao mesmo tempo, sua confiança (2 Timóteo 4:7-8) exemplificam mais um paradoxo. A humildade não deve criar a timidez mas a confiança também não deve levar à arrogância. A humildade irá nos manter cientes das nossas próprias fraquezas mas nunca deve causar hesitação em apontar pecados na vida de outros (1 Coríntios 5:1-13). Nós somos humilhados pelo risco que corremos de errar em opiniões e entendimentos da verdade, mas somos confiantes de que há certas coisas das quais temos certeza que não podem ser comprometidas (Gálatas 2:5).

A virtude da longanimidade (Gálatas 5:22) tem de ser equilibrada pela intolerância (Colossenses 2:4,8,16,18). A longanimidade é precisa conforme tentamos progredir para a maturidade, mas a intolerância é precisa quando o progresso não acontece e metas não são atingidas (1 Coríntios 3:1-3; Hebreus 5:11-14). É uma coisa sofrer junto com pecadores enquanto tentam vencer o pecado, mas tolerar o pecado é completamente diferente (Apocalipse 2:15-16, 20-21).

Com certeza devemos nos importar com o que os outros pensam de nós (Mateus 5:13-16) mas, ao mesmo tempo, nos importarmos pouco com a maneira que nos avaliam (Gálatas 1:10). A virtude de viver para influenciar outros (Filipenses 2:12-16) pode tão facilmente tornar-se no vício de viver para agradar os outros (Gálatas 2:11-21).

Alguns são propensos “pela natureza” a serem “como serpentes” ou “como pombas” e o diabo usa as nossas “inclinações naturais” para causar um caráter desequilibrado. Ele nos faria enfatizar o que é fácil e não enfatizar o que não é. Como conseqüência nós, muitas vezes, vamos aos extremos: uma pessoa falsamente sofisticada que acredita que pessoas “cultas” evitam falar ousado, afirmações confiantes, intolerância de pecados e conduta que pode “ofender” outras pessoas; ou um realista que é abusivo no falar, arrogante, intolerante e despreocupado com o que outros podem pensar.

O desenvolvimento de um caráter equilibrado porém paradoxal não vem rapidamente (Hebreus 5:12 – "ao tempo decorrido") nem é fácil (1 Coríntios 9:25 – "se domina"), mas não há atalhos para chegar à maturidade.

–por David Smitherman

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